Key West, Flórida
Escrevo no dia 13 de setembro, portanto... espera, já é dia 14, no dia 13 não deu... Então, o que eu lembrar... embora seja ruim não anotar imediatamente, mas como fazer diferente, aqui a vida exige minha atenção a cada minuto!
Resumindo. Às 9 da manhã, é claro, me atrasei - estava nadando e deitado ao sol. Saí ao meio-dia, a estrada é impressionante, pouca gente, meus 4 assentos e a janela mais limpa =) Pela primeira vez vi como é: água azul (e às vezes verde) e as ilhas em si são como pântanos - areia, meio metro de água e arbustos por cima, e por baixo as raízes sobressaem como gravetos da água. Com certeza há um monte de bichos lá, só que como chegar lá? Na ilha de Islamorada, um lanche no Burger King, meu favorito. Comi muito - já não economizo mais =) Vi um bando de lagartos verdes, uns monstros do tamanho do meu braço! Droga! Pensei que os veria de novo em Key West - resultado, nem pensar, não os encontrei mais...
Chegamos a Key West. 17h30. A estação fica no aeroporto, a 4 milhas da cidade, os táxis que se danem, eu vou a pé. Embora o caminho tenha se mostrado não tão interessante quanto eu pensava. A praia toda está cheia de algas e fede horrivelmente. Por isso caminhei pelo palmeiral. Por toda parte há placas, incluindo "no overnight camping" - eu odeio essa regra =) (Em Miami Beach não existe).
Cheguei ao ponto mais ao sul dos estados em uma hora e meia, com todas as fotos; e no caminho entrei no chamado "canto da vida selvagem", mas na verdade era um lixão no pântano (em geral, fiquei surpreso que no famoso Key West estivesse tão sujo, poças, por toda parte aquelas algas fedorentas e lixo). Pois bem, lá no lixão da vida selvagem estava úmido e cheio de buraquinhos na terra; descobri que lá vivem caranguejinhos, do tamanho de uma moeda ao tamanho de uma toranja grande. Eles te veem a vários metros e começam a se dispersar =) Olhos em palitinhos =) Também vi pássaros e um par de lagartos - nada de interessante...
Depois, um cara local me explicou que o que está sujo agora é Key West depois do furacão Ike, há dois dias passou por aqui a borda dele (o centro passou por Cuba, Haiti, morreram centenas de pessoas), enfim, para Key West bastou a borda - a população foi evacuada, e esse cara tinha acabado de voltar para casa e caminha horrorizado com como o furacão destruiu sua cidade... Todos os hotéis na zona da estela do ponto mais ao sul estão inundados, as palmeiras arrancadas. Bem, tirei fotos. Em compensação, o furacão não tocou a costa norte. No caminho para lá, passei pela casa de Hemingway, está fechada - já é tarde. No início pensei que a casa pequena fosse a dele, descobri que é a casa do caseiro e a casa de Hemingway é aquela grande. No seu jardim vagam gatos =).
Também fui ao píer, fica no sul da cidade. Para chegar lá é preciso entrar discretamente por um bairro elegante passando pela guarita de segurança. O que tem de bom no píer além do navio de guerra atracado e o quartel da US Navy? Que, tirando um par de sem-teto pacíficos, não tem ninguém! O píer em si é enorme como uma pista de decolagem, pavimentado. Um sem-teto manipula os ajustes de algum aparelho; só perguntei "O que você está fazendo?" e em troca ouvi durante uns bons 10 minutos um monólogo impressionante sobre como os republicanos (os do McCain) bloqueiam sua estação de rádio favorita, a voz da democracia =)). Outro sem-teto, tão magro e barbudo como Leon Tolstói, pratica caratê... sentado...
Vocês não imaginam o quão agradável, o quão fofo, o quão caseiro foi observar este píer, banhado pela luz da lua, no silêncio, quando só se ouve o barulho das ondas quebrando e o murmúrio ininteligível da "voz da democracia" =).
Já escureceu há muito tempo, mas quero encontrar uma praia selvagem no lado norte (não tocado pelo furacão, sem algas) para passar a noite. No mapa, fica em algum lugar depois dos clubes de iates, a algumas milhas.
Saí para a rua principal, Duval Street - e aqui tem um monte de gente, lojas de souvenirs, agências de turismo, bares (a entrada é proibida para menores de 21 anos) e restaurantes. De novo aquela loja pretensiosa do fotógrafo Peter Lik, onde o preço por uma das impressões do Grand Canyon (realmente genial) é de 60 MIL $ (com autógrafo =)). Saio para o porto, um monte de iates na baía e entre eles passarelas de madeira resistentes, incrível =).
Fotografei um par de catamarãs. É interessante notar que muitos iates legais têm estandes com listas de preços para várias viagens, como ver o pôr do sol (que aqui é lendário, mas por causa das nuvens não vi), nadar com máscara no recife de coral, casamentos, jantares na água, etc. E, além disso, esses iates pertencem a particulares, casais...
Enfim, caminhei até os clubes de iates, minhas pernas doem, por toda parte civilização. Pergunto a um policial, onde vocês têm praias selvagens limpas aqui? Ele responde: "agora não há praias limpas, selvagens não há nenhuma, e aliás, já eram 12 da noite, é ilegal estar lá agora e se você se deitar para dormir, vai para a cadeia!" Fiquei chocado! Eu deveria ter dito a ele que toda a América civilizada é uma prisão montada em territórios maravilhosos! Que suas almas secaram e não restou nenhum romantismo... Embora, em geral, graças a esse sistema, eu caminhe altas horas da noite sem medo por onde quero (exceto talvez pelos bairros de LA e Nova Orleans =).
Enfim, voltei para o píer... a cada poucos minutos passam carros de patrulha, quantos policiais há aqui... Dobro cada vez que aparece em um beco o reflexo de seus faróis; não preciso de perguntas sobre o que faço às duas da manhã com mochila e colchonete na rua (os americanos determinam infalivelmente que se você tem um colchonete, significa que é um sem-teto) e em qual motel me levar... ao primeiro policial mal-humorado eu disse que amigos me esperavam no iate; fiz o desejo passar por realidade =).
No píer é maravilhoso, só ficou um sem-teto carateca, instalei-me a cem metros dele, bem na borda sobre a água. Depois esse sem-teto também foi embora e passei a noite sozinho no enorme píer deserto. Desci para nadar cinco metros abaixo, é terrivelmente assustador, parece que no escuro um tubarão vai te comer, mas é agradável superar a si mesmo e saber mais uma vez que Deus está comigo.
12 de setembro
Ao amanhecer navegaram os monstros de cruzeiro. Já que os pores do sol são geniais, talvez os amanheceres não sejam ruins? =) Assim foi. Pela manhã o céu está completamente limpo - corri para a costa sul. 7 da manhã, às 8h45 sai um dos dois ônibus para casa, para Miami =). Correndo, consegui por um triz. Estou incrivelmente satisfeito =). No ônibus é bom, vi de novo lagartos enormes na praia, devem ser iguanas. No final não tivemos a chance de nos conhecer...

