Um lugar na janela... um suspiro profundo... ajusto o cinto de segurança e sinto o avião ganhar velocidade rapidamente. Não há pensamentos na minha cabeça, apenas um vazio inexplicável que nada pode preencher. Um instante e o avião descola do chão e percebes: isto é... tudo. Tudo ficou para trás. Uma vida pequena, imensamente querida ao coração, irrepetível, foi vivida. Olho fascinada para a terra lá em baixo, outrora tão distante e agora tão familiar. Amigos, emoções, as melhores memórias ficaram lá, do outro lado do avião... Depois dir-me-ão: «vá lá, não te preocupes, será ainda melhor! vais voar de certeza outra vez! vais aos mesmos lugares, vais encontrar os teus amigos!» Talvez... embora... provavelmente não possa ser melhor nem pior. Será «diferente». Os rostos e os lugares não permanecem os mesmos. Os momentos da vida são irrepetíveis. O verão de 2011 está para sempre no meu coração.
Percebo que a América não se despede da mesma rapariga que conheceu um dia.
Recosto-me no assento, fecho os olhos e, como fotogramas de um filme a cores, começam a passar pela minha mente rostos, eventos e dias da melhor época da minha vida...