Não sei no que estaria pensando agora nem do que viveria se não fosses tu - AMÉRICA!
Agora lembro-me e começo a entender que sonhei contigo há uns anos. Mas na altura acordei e pensei que era algo tão distante e impossível, e esqueci-me logo. Mas as circunstâncias mudaram e aqui estou, em menos de dois meses serei tua convidada! Sabia que tinha problemas óbvios com a língua, mas queria tanto ir ter contigo que dedicava todo o meu tempo livre, e o que não era tão livre assim, a TI. Durante mais de três meses estive a pensar em como conseguir esse bilhete tão desejado para TI - o tão esperado visto.
E embora a minha amiga me tenha dito logo: "Lyuda, se até o Artem o conseguiu, tu de certeza que também vais conseguir". O Artem é um rapaz que frequenta aulas de inglês e, pelo que parece, não percebe muito daquilo. Rimo-nos muito ao imaginar como ele explicava às crianças na piscina que não se podia mergulhar: "small child, big pool".
Claro que li bastantes blogs, histórias e ouvi de amigos e conhecidos que, em princípio, não deveria haver problemas para obter o visto. Mas acho que qualquer pessoa que tenha passado por isto concordará comigo que, até estares lá, na embaixada, não fazeres a longa fila e não gastares todos os teus nervos, não consegues entender.
Não vou descrever todos esses longos e insuportáveis três meses em que só pensava em quando iria à embaixada. No início pensava que seria em fevereiro, depois em março, mas marcaram-me para o dia 7 de abril. Éramos cerca de 70 pessoas da minha cidade e alguns rapazes de Yelets. Durante todo o caminho, que durou umas 7 ou 8 horas, não consegui dormir, mas por alguma razão já não estava tão nervosa. Simplesmente soube que tudo correria bem, tinha a certeza disso e não duvidei nem por um segundo que iria ter contigo. Perto da manhã, finalmente consegui fechar os olhos um pouco, e quando os abri, era Moscovo a acordar e a abrir caminho através da escuridão.
A primeira coisa que vi foram as muitas luzes refletidas no rio Moscovo e a minha alma sentiu-se imediatamente calma e leve.
Por volta das seis da manhã chegámos à embaixada e fomos tomar um café e despertar de vez no café aberto mais próximo. Só havia um cliente, que ao que parece tinha bebido bastante e estava a insultar o pobre empregado de bar e o empregado de mesa num russo arranhado. Depois de uma chávena de café, acordei completamente. Voltei ao autocarro com a minha amiga e começámos a esperar...
Observava como punham os rapazes em fila, como cada um ia vestido para a entrevista e como se comportava. E depois chegou a nossa vez de entrar na fila. Eu estava mais ou menos a meio do nosso grupo. Depois de passar por um par de detetores de metais, escanearam-me as impressões digitais e então começou o momento mais emocionante: o caminho direto para o cônsul.
A fila avançava muito devagar, no início não funcionavam todas as janelas, mas pouco a pouco começaram a sair os primeiros sortudos. Ao entrar na sala de espera, a primeira coisa que vi foi uma televisão com desenhos animados, os meus favoritos, "Tom e Jerry". Pensava em que janela ir e não queria de todo ir à 10, lá estava uma mulher cônsul e, perante os meus olhos, ela recusou o visto a um par de pessoas. E aqui estou eu, na última fila, a sonhar que me calhe o cônsul simpático da janela 12, e à minha amiga o ruivo da 13. E foi exatamente assim!!! Depois de fazer algumas perguntas padrão, saber o meu nome, o que a minha família pensa sobre a viagem aos EUA e em que ano de curso estou, cometi uma asneira e em vez do dedo indicador pus o polegar, sorrindo, pedi desculpa e ouvi como resposta: "Have a nice summer in the USA"! Saio a correr da embaixada, chocando com tudo e todos pelo caminho, e percebo: pronto, agora sim, vou mesmo ter contigo!
Tenham confiança em vocês mesmos, nas vossas forças, acreditem no sonho e a VOCÊS de certeza que tudo correrá bem!!!!
