CABO DA BOA ESPERANÇA
Mesmo que alguém não saiba nada sobre a África do Sul, além de que ela existe, certamente já ouviu falar do cabo mais famoso do mundo! Especialmente porque ele tem um nome tão bonito e sonoro, que inclui duas palavras maravilhosas: «BOA» e «ESPERANÇA». Antigamente, este cabo chamava-se «Cabo das Tormentas», contra o qual os navios batiam constantemente. Depois, renomearam-no com o nome atual, mas dizem que os navios continuaram a bater lá por muito tempo depois. Ou talvez ainda aconteça hoje em dia...
Katya e eu estivemos lá no sábado passado. A IEC deveria ter-nos levado lá, lembrámo-los gentilmente e, sem qualquer objeção, juntaram-nos a um grupo recém-chegado de voluntários e participantes do programa «Work in South Africa». Os estudantes vêm de todo o mundo, não apenas nós e os europeus, mas também do Canadá, Austrália, Estados Unidos, e assim por diante. Vêm de toda a parte!
Às 8h30 da manhã, um autocarro apanhou-nos em Sea Point, éramos cerca de vinte pessoas e partimos. Quero notar que naquela semana trabalhei como um burro e dormi três horas por noite – tudo saiu assim. Naquela manhã, voltei do trabalho às cinco e meia e levantei-me às oito. Katya ligou a perguntar se eu ia mesmo?
– Será que vim aqui só para trabalhar? – respondi e comecei a preparar-me.
Sentámo-nos e partimos. Katya tagarelava e perguntava sobre isto e aquilo, mas lembro-me de lhe pedir para não me carregar, porque a minha cabeça recusava-se a trabalhar.
Mas assim que chegámos à estrada de montanha, senti imediatamente: dentro de mim despertam a vida e o viajante. E o dia foi fantástico! No caminho, parámos e fomos de barco ver os lobos-marinhos. Num lugar, havia quase cinco mil!
Depois parámos novamente. Num bairro bonito chamado «Simon’s Town». Para comer qualquer coisa. Tomei uma garrafa de limonada, pãezinhos e batatas fritas e, sentado num banco no cais, olhava para os barcos que passavam.
Mais à frente, perto de Simon’s Town, fomos ver os pinguins. Imaginava-os como nos documentários sobre a vida selvagem ou como nos filmes. Com um metro de altura. Descobriu-se que esses pinguins vivem precisamente na Antártida e chamam-se pinguins-imperadores. Na África do Sul, os pinguins são do tamanho de um gato. Às vezes, de um gato grande, mas não maiores. Alinham-se em grupos e ficam quietos como estátuas. E não querem saber de nada, os turistas correm à volta ou o que quer que aconteça. Tudo é paralelo, indiferente, não lhes faz diferença nenhuma!
Por toda a parte está a sua penugem e «cheiram», digo-vos eu, não como animais de estimação... Mas é tão fixe ver um pinguim ao vivo e quase no seu ambiente natural!
Depois seguimos viagem. Quero notar: até agora, em qualquer direção da Cidade do Cabo que tenha ido, as vistas, na minha opinião, são simplesmente deslumbrantes! Dizem que se fores mais longe, lá já há mais estepe e colinas. Mas aqui, tudo à tua volta é simplesmente um milagre!
No caminho, encontrámos um comboio. Ia mesmo pela beira da água. Um espetáculo fascinante!
E depois estava ELE. Cape of Good Hope! É tão fixe: vais pelo topo da falésia e à frente, à direita e à esquerda em baixo, está o oceano. O Atlântico.
Passeámos pelo cabo. É um lugar absolutamente fantástico de uma beleza incrível! Num lugar, há uma praia à qual se pode descer. E é como num filme! Ou num sonho. Mas não tivemos tempo, o autocarro esperava por nós. Todo o tempo que passámos no cabo, não me abandonou a sensação de que o autocarro nos tinha levado diretamente ao paraíso.
Pensamos voltar lá!
FONTE TERMAL
A minha tia foi o ano passado a uma fonte termal. Algures na Europa. Acho que em França. E elogiava tanto, tanto! E eu pensava: «Pois! O que é que isso tem de especial?!» Então, ontem, o Nick e eu fomos a Caledon – é um lugar nas montanhas onde construíram todo um complexo de bem-estar com pequenas banheiras de pedra para algumas pessoas e piscinas maiores com água de fonte termal. Fui, experimentei tudo aquilo e cheguei à conclusão: não é «pois»! É um «pois» muito grande! É tãoooo fixe!
Depois de tomarmos banho e nadarmos, fomos à sauna.
– Há pessoas que vivem como nós! – declarou o Nick.
– Agora vinha a calhar um pouco de leite espesso, caseiro, – pensava em voz alta, voltando à sauna seca depois de mergulhar na piscina de água fria.
– E eu bebia uma cerveja ou um kvas! – respondeu-me o Nick.
Seria feio da minha parte não dizer o quão grato lhe sou! Sem ele, não teria feito esta viagem e talvez nunca tivesse conhecido tudo o que vivi ontem. Na verdade, muitas vezes surpreendo-me a mim mesmo, como é que um escritor pobre como eu conseguiu chegar a África? Aqui há um milagre, ou... enfim, é um milagre em qualquer caso!
Encontro com uma BALEIA em Hermanus
Não queria nada sair das piscinas termais de Caledon, mas a oportunidade de ver uma baleia ao vivo tentou-me.
– Sabes, não tenho muita vontade de ver leões, macacos, tigres e afins. Mas uma baleia ou um golfinho ao vivo, veria com gosto, – partilhei os meus pensamentos com o Nick, emocionalmente e quase a saltar no sítio.
– Bem, leões, macacos e tigres são moda. Mas para ver uma baleia, tens de ir a um lugar especial. Embora haja na Cidade do Cabo e em todos os arredores. Eu também olharia para tubarões!
– Não, os tubarões não me atraem. São um pouco... é-me desagradável olhar para eles, são repugnantes, especialmente se abrirem a sua boca feia.
Deixámos Caledon e dirigimo-nos para uma pequena cidade chamada Hermanus.
E estes animalinhos simpáticos não só os vimos lá, como também os encontrámos no Cabo da Boa Esperança. Quem são – um esquilo-terrestre, um gambá, um castor ou quem mais, nem sei.
Em Hermanus, ao que parece, há uma baía tão boa e cómoda para as baleias que elas estão sempre lá. Turistas de todo o mundo acorrem para admirar este espetáculo extraordinariamente fascinante – a vista de um corpo vivo tão grande (ou vários ao mesmo tempo) a nadar na água.
É claro que periodicamente vão para o oceano, então aí não as encontrarás. Mas às vezes, em grupo, passam relativamente perto de ti. E se estão juntas, brincam, saltam fora da água, brincam umas com as outras. Acho que é incrível ver isso com os teus próprios olhos!
Ontem vimos uma baleia muito de perto! A não mais de vinte metros de distância! É verdade que tivemos a sorte de encontrar apenas um exemplar. Não era grande – cerca de dez metros de comprimento. E não tinha muita vontade de se mostrar, por isso, principalmente, só vimos as suas costas poderosas, às vezes parte da cara, do peito, periodicamente as barbatanas ou a cauda. Mas inteira – vê-se que não queria exibir-se. O seu grupo não estava perto dela, o que significa que não havia ninguém perante quem se exibir. Nós – os espectadores – não contamos.
As vistas para o oceano e para a costa em Hermanus são surpreendentes. Num lugar – onde a baleia, por alguma razão, gostava mais (talvez a alimentem lá?) – parou e chapinhou durante muito tempo. Umas quantas vezes grunhiu e espirrou água para o ar. Então, nesse lugar, mesmo ao lado da margem, ao pé de uma pequena falésia, há uma cafetaria. «Incrustada» nas rochas. Podes sentar-te, beber algo com uma palhinha e falar com... não sei, a tua mulher, um amigo, o teu avô algures em... Nijni Novgorod!
E de lá dizem-te:
– Então, como estás aí? O que fazes?
E tu assim, como se fosse algo quotidiano e passasses cada dia de forma semelhante, e o estado de euforia não te tivesse tocado de todo:
– Sim... nada, estou aqui sentado num café com um amigo. É fixe, um café normal, não é o pior.
E aí tossis, para reduzir um pouco a importância do momento, mas continuas, esperando um certo efeito:
– Ejem, ejem. Um café rodeado de rochas. Aqui à direita há baleias a saltar. E tu como estás, o que há de novo?





