A VELHA GUARDA
Não levem isto como publicidade. Embora... que se lixe (como diriam os ucranianos)! Para mim, é simplesmente um evento grandioso! Sylvester Stallone está a filmar um novo filme, «The Expendables»! Será terrivelmente curioso vê-lo. Embora, nestes casos, exista sempre o receio de ficar desapontado. Por outro lado, Stallone não me desiludiu nem uma vez nos últimos anos. Pelo contrário! Fez tudo ainda melhor do que eu poderia ter imaginado.
Por isso, confio nele e irei ver qualquer filme que ele realize, com qualquer enredo e elenco de atores. E COM ESTES!!! Até Arnold Schwarzenegger abrirá uma exceção para Sylvester, regressando ao cinema! E pensar que, nos últimos cinco anos e tal, desde que se tornou governador da Califórnia, não filmou nenhum filme. O que é notável é que ele interpretará a si próprio — o governador da Califórnia.
O filme trata da tentativa de um grupo de mercenários de realizar um golpe de estado num país latino-americano. O realizador e argumentista do filme é o próprio Stallone. Ele também interpretará um dos papéis principais. No projeto participam também Eric Roberts, Mickey Rourke, Jet Li, Jason Statham, Dolph Lundgren e Forest Whitaker. Simplesmente uma constelação de atores!
ÚLTIMOS ACONTECIMENTOS
Alexei partiu de barco no dia dezanove de fevereiro. À uma da tarde, ligou para se despedir, informando que o «Akademik Fyodorov» passaria por Sea Point em cerca de dez minutos.
Saí para a margem para os despedir. Já iam a uma distância bastante afastada de nós e, claro, não consegui distinguir as pessoas a bordo. No entanto, acenei-lhes para me despedir, desejando-lhes uma boa viagem.
Na sexta-feira, Kirill e eu preparámo-nos para ir a um lugar bonito. Não há muito tempo, na companhia de colegas de trabalho, ele foi de noite de carro às montanhas. Lá, estiveram perto de um lago que, segundo Kirill, é extremamente bonito. E de onde se abre uma vista deslumbrante sobre a cidade.
— Fiquei maravilhado quando lá estive! — contava Kirill com entusiasmo. — Não sabia que havia um lugar tão fixe aqui!
Kirill disse que certamente encontraremos este lago sozinhos.
Antes da nossa caminhada, contei a Kristina e ela expressou o desejo de vir connosco. E assim, na sexta-feira, das dez da manhã às duas da tarde, vagueámos por Signal Hill, tentando encontrar este lugar misterioso, o que é muito estranho porque não o tinha visto antes, tendo já explorado três montanhas antes disto sem ver este lago nem de lado, nem de cima, nem de baixo.
Os nossos esforços para encontrar o lago não foram coroados de sucesso, o que desconcertou mais do que ninguém o Kirill, o nosso Susanin. No entanto, não ficámos muito desapontados, porque passámos um bom bocado de qualquer forma, na companhia um do outro.
E na noite do mesmo dia, Kirill e eu fomos à piscina ao ar livre — a mesma onde a SASTS organizou uma festa de Natal, à qual não pude ir. Lembram-se do meu relato sobre isso?
Lá passámos cerca de três horas: nadámos, apanhámos sol, falámos de tudo um pouco... Quando de repente...
— Bom dia! — dirigiu-se a nós um velhote sentado não muito longe, tendo ouvido a nossa conversa e percebido que falávamos russo.
Já há muito tempo que não me surpreendo por encontrar compatriotas no estrangeiro. Aliás, Kirill encontra frequentemente turistas de nacionalidades eslavas no Waterfront.
— Olá! — saudámo-lo.
Conversámos, após o que descobrimos com surpresa que o avô é francês! E o seu russo é aprendido, e ainda por cima sabe pouco. No entanto, falava claramente, sem qualquer sotaque. É por isso que, nos primeiros minutos da conversa, o confundimos com um compatriota.
— E o que fazem aqui? — perguntámos-lhe.
— Em França tenho frio no inverno! Todos os invernos venho à Cidade do Cabo e vivo aqui durante três meses.
— Fantástico! E precisa de um visto para isso?
— Não. Comprei um bilhete e pronto!
— Fixe! Nós, por agora, precisamos!
Falámos-lhe de nós.
Foi muito interessante conversar com ele e tão invulgar encontrar um francês na África do Sul que fala russo. Contou que, na altura, voou várias vezes para Moscovo. Uma vez, lá ficou durante duas semanas inteiras. Diz que, de cada vez, admira a beleza da capital russa! E que gosta muito de Moscovo. Diz também que já esteve em Kiev. Foi lá de carro. Kiev também lhe agradou, diz ele. E eu contei-lhe que, há dois anos e meio, estive em Paris e que Paris também é uma bela cidade. Kirill, por sua vez, partilhou que também pretende ir à capital francesa este verão.
ILHA ROBBEN ISLAND
No dia seguinte, sábado, Ira, Mahmoud, uma boa conhecida deles e eu comprámos bilhetes para a ilha — um museu ao ar livre numa prisão onde outrora esteve encarcerado o grande e lendário Nelson Mandela.
Da margem parece que Robben Island não fica longe, mas navegámos durante quarenta e cinco minutos. Do barco e da ilha abriu-se a vista mais fantástica sobre a Cidade do Cabo que alguma vez vi. E pensar que vi muitas nos últimos seis meses! Como se costuma dizer: «a vida por vezes reserva-nos surpresas quando menos esperamos!»
Fizemos um belo passeio, demos a volta à ilha em autocarros turísticos e depois fizemos uma visita guiada à prisão. Vimos até a cela onde o futuro presidente cumpriu a sua pena.
23 de fevereiro de 2009





