Eu saí, aliás, no dia 1o de junho às 23h, então o relato começa já a partir da meia-noite. A viagem dura cerca de 60 horas. Abaixo estão as fotos das minhas passagens, onde (ATENÇÃO) nem todas as paradas estão indicadas. Havia umas 2 ou 3 vezes mais. Na passagem, só constam as mais importantes. Quero ressaltar que a Greyhound é famosa por seus ônibus de qualidade, que supostamente têm tomadas e Wi-Fi em todo lugar. Aham, sei. Me fizeram rir.
2 de Junho - As primeiras horas de estrada.
Do meu diário: "Depois da meia-noite, eu seguia em um ônibus escuro, tentando dormir, mas estava frio e eu estava de shorts e chinelos. (Dica no 9: Bem, se você teve o azar de viajar de ônibus, faça o favor de vestir algo mais quente.) Coloquei os pés no assento ao lado e cochilei. Na verdade, é aqui que começa toda a parte desagradável da minha viagem. Vamos começar pela comida. Na primeira parada, no meio da noite, comprei 6 nuggets no McDonald's e comi uma parte. Além disso, o sinal oscilava, mas funcionava na maior parte do tempo. (Havia uma tomada ali, sim, mas o Wi-Fi quase não funcionava, por exemplo.) Pela manhã, chegamos a Pittsburgh, onde comprei uma barra de Snickers, e a máquina, perdão, me enganou em 15 centavos. Fiquei lá cerca de uma hora, escovei os dentes, saí por alguns minutos na cidade e voltei. Decidi colocar tênis e meias para não ficar com tanto frio nos pés. Depois, peguei outro ônibus. Um dos piores de toda a viagem. O ônibus estava lotado e o motorista frequentemente deixava alguém ou pegava alguém em várias estações. Ao chegar perto de Cleveland, em uma das paradas, comprei 2 sanduíches de frango por US$ 3,25. O "sanduíche" consistia em um pão de hambúrguer e um filé de frango. Só isso. Mas pelo menos estava quente. Agradeço por isso. Depois de comer, segui viagem. Perto do meio-dia, finalmente chegamos a Cleveland, onde nos deixaram com um papel especial que nos dava prioridade de embarque no próximo ônibus. Lá, recarreguei minhas coisas em uma estação de carregamento, já que no ônibus as tomadas não estavam em todos os lugares. E no caminho para Cleveland, sentei ao lado de uma mulher grande e pesada que estava dormindo, só para usar a tomada. Sentei na ponta para não acordá-la nem encostar nela.
Depois de recarregar e descansar um pouco em Cleveland, segui para Chicago. Trocamos de ônibus e o novo tinha Wi-Fi e tomadas em todos os lugares. Em algum lugar no caminho, entrei no Burger King e comprei um hambúrguer com batata frita e refrigerante. Quase não bebi o refrigerante, pois (adicionando uma nota infeliz) estou começando a ficar doente. Durante a viagem, tomei todos os comprimidos possíveis. Obrigado, mãe, por eles. Sei que você está lendo isso agora e sorrindo. Ou talvez chorando. (Acho que todos entenderam a Dica no 10 que vou inserir agora. Levem consigo vários Strepsils, Imudon, Doc-1, Nimesil, Tempalgin, etc., etc. Enfim, tudo o que se pode levar pela alfândega sem perguntas desnecessárias e que é muito necessário em viagens como esta. Não é garantido que você encontrará uma farmácia no caminho. E não é garantido que todos esses remédios vão te ajudar. Ah, sim, e a Dica no 10.1: Amem suas mães, pois elas vão colocar esses remédios na sua mala de qualquer jeito.)
À noite, cheguei a Chicago, onde passei cerca de 1h30. Saí para a rua, voltei, comprei um chá quente e escovei os dentes. Aliás, estou começando a gostar disso. De Chicago, às 21h45, segui para Minneapolis.
3 de Junho - 2o dia de estrada.
Continuação do diário: "A viagem para Minneapolis só foi lembrada pelo mal-estar devido à garganta e... ao estômago! Dormi quase a noite toda, então a viagem passou rápido. Em Minneapolis, comprei 2 sanduíches e uma garrafa de refrigerante. Devorei os sanduíches e deixei o refrigerante esquentando. Aqui tem outro problema. Mudaram a empresa de ônibus. E para Billings, eu já não viajava com a Greyhound, mas com a Jefferson, e isso significa:
a) Ônibus velhos;
b) Sem Wi-Fi;
c) Sem tomadas.
Em algum lugar no caminho, nas paradas, eu carregava o celular e escrevia para a minha mãe que estava tudo bem. Depois, desligava o celular e voltava para o ônibus. Em uma das paradas, comprei 2 Snickers e 2 refrigerantes. Comi quase tudo na estrada. Deixei um pouco, cochilei e depois terminei de comer. Quanto mais perto da minha vila, pior era o ambiente. Especialmente não me agradava um estranho maluco que ficava resmungando algo para si mesmo e sendo grosseiro com todos. E, no geral, ele parecia o Trevor de GTA V. (Quem jogou ou viu vai entender minha perplexidade). E isso não era nada bom. Mas, no geral, o caminho foi tolerável. No caminho, lembrei dos brincos que comprei para a Zhenya (amiga) e, com a ajuda deles, troquei os chips no tablet e no celular para conseguir me comunicar pelo tablet (que ainda tinha carga). Entrei no VK e escrevi para a Zhenya para que ela avisasse minha mãe que estava tudo bem. Depois a internet caiu, e mais tarde descobri outro problema. Todo esse tempo eu estava em roaming de outro estado, e eu só tinha 10 megabytes de internet em roaming. E assim, ela foi cortada. Bem, estou sem internet, sem carga, sem dinheiro (isso é uma história à parte), sem saúde, sem ânimo. Ah, sim. E foi por aqui que cheguei a Billings, onde comi mais um Snickers.
4 de Junho - 3o dia de estrada.
Mais um pouco do diário: "Em Billings, deixei a mala na fila e fiquei perto da tomada com o celular. Escrevi para a minha mãe que estava tudo bem e já entrei no ônibus que vai para Missoula. Lá eu tinha tomadas. Finalmente. A noite toda carreguei o celular tranquilamente, ouvi música e até troquei mensagens. Viajou comigo o tempo todo um rapaz com quem estávamos juntos desde Minneapolis."
E aqui está o maior problema de todos, talvez. Não quero entrar muito fundo nesse problema. Só quero avisar. Dica no 11: Tenham cuidado com seus cartões bancários. Apenas tenham muito cuidado com eles. Por experiência própria, descobri que pode acontecer absolutamente qualquer coisa com eles. E aconteceu que, devido a alguns problemas, fiquei com uma dívida lá. Não foi minha culpa. Tornei-me apenas refém das circunstâncias. Isso acontece. Abri o cartão ainda em Nova York. E adiantando, direi que a dívida era de cerca de 550 dólares. Sim, não é pouco. Uma semana na América e já devo 500 ao Bank of America. Excelente. Sendo que na carteira eu tenho uns 270 dólares, e da estação final até Apgar ainda precisarei chamar um táxi, que vai me custar 80-100 dólares, se eu acreditar nos meus empregadores. E uma dívida no banco na América é ruim. Podem fechar a conta e sujar o histórico. E então eu nunca na vida abrirei uma conta em qualquer outro banco.
E sabem o que aconteceu então? Estando em Missoula, um rapaz de 19 anos, que parecia ter começado uma vida independente, que passou por tanta coisa nas últimas semanas, que também se sente horrível neste momento (talvez até com febre), que contraiu uma dívida no maior banco dos Estados Unidos, que se segurou e acreditou em si mesmo, quebra. Sim, houve uns 20-30 minutos de fraqueza. Na estação, fiquei sentado chorando, sentindo que ninguém me ajudaria, exceto eu mesmo. Percebendo que queria ir para casa. Chorei copiosamente, sem parar.
Bem, e o que aconteceu depois? Fui escovar os dentes.
Bem, lembrei ou percebi que agora não há ninguém, na verdade, para resolver tudo isso além de mim mesmo. Eu poderia ligar para a minha mãe e pedir dinheiro, e ela provavelmente enviaria. E onde estaria minha independência então? Por que eu vim para cá então? Para desistir assim depois de uma semana? Bem, não.
Nesse momento, tomei as rédeas, repensei a situação, avaliei os prazos aproximados para quitar a dívida. Precisava bloquear o cartão. E nesse momento me surpreendi comigo mesmo. Comecei a raciocinar, e muito bem. O fato é que o Bank of America, para conectar com um operador por telefone, além do número do cartão, exige o Social Security Number (equivalente ao CPF). Eu não tinha, pois só tem quem já começou a trabalhar, e meu cartão foi aberto supostamente para fins de pagamento de estudos, já que foi aberto por um compatriota que encontrei por acaso no escritório do banco. Não, eu não o conhecia. Só fui abrir, e lá estava um cara da minha cidade. Enfim, nesse momento lembrei da região aproximada onde ficava aquele escritório e pesquisei no Google os escritórios do banco naquela região. Liguei para o mais parecido e perguntei por aquele cara. Expliquei a situação e perguntei como bloquear o cartão, já que havia a possibilidade de perda de ainda mais dinheiro. E ele me indicou o caminho para contornar várias verificações de SSN e falar diretamente com o operador. Resumindo, bloqueei o cartão.
Enfim, passei 4 horas em Missoula. Depois disso, segui em um ônibus bem pequeno para Whitefish - uma cidade pequena que, aparentemente, é a localização da estação de ônibus mais próxima da minha vila. O ônibus é tão pequeno que nem é um ônibus, é uma van, como dizemos. Lá conheci um rapaz da Bulgária chamado Evgeni, que precisava ir exatamente para o mesmo lugar que eu. Isso foi sorte. Em Whitefish, descobriu-se que não havia táxi de jeito nenhum. Só dava para chamar. Aqui veio em socorro aquela minha amiga Zhenya, que em casa, sentada no computador, procurava empresas de táxi para mim. Ela, na verdade, encontrou o número para nós. Esperamos muito. Sendo que esse Evgeni me parecia terrivelmente nojento naquele momento.
O táxi chegou, viajamos quase uma hora e pagamos 40 dólares cada, junto com a gorjeta. E aqui está. Aquele café das fotos. Tudo como no Google. Sim! Cheguei. Não dá para acreditar, mas estou aqui.
No geral, a viagem foi terrivelmente difícil, mas ao mesmo tempo instrutiva e interessante. Até mesmo simplesmente sentir-se um viajante que escova os dentes onde dá - isso é divertido. Claro, não quero muito repetir essa experiência, mas, ao mesmo tempo, sempre me lembrarei disso como uma experiência boa e necessária. Vi muitos lugares bons, viajei por muitas cidades e estados, conheci muitas pessoas diferentes e simplesmente vi tantas coisas interessantes. E meu diário tornou-se verdadeiras anotações de um viajante. Na estrada, tive que conversar com alguns dos companheiros de viagem mais comunicativos. Com alguns até fiz amizade. Um deles foi aquele rapaz de quem falei antes. Ele tentava me convencer de que as americanas adoram estrangeiros e derretem com o sotaque. Sendo que ele tem uns 13-15 anos, mas tentava me dar dicas de paquera.
Outro rapaz mais velho. Viajamos juntos em algum lugar na parte central do país. Ele ia para Denver, Colorado. Para quem não sabe: o Colorado é um dos dois estados onde o consumo de maconha é totalmente legalizado. Enfim, esse rapaz ia para lá por causa disso. Muito alegre e muito comunicativo. Cheio de piercings e tatuagens, e também com uma enorme bolsa esportiva, para a qual ele apontava dizendo: "Se você soubesse o que eu tenho aí". E também havia uma jovem adorável que viajava no assento ao lado, mas ela não era falante, embora aquele rapaz de Denver tentasse dar em cima dela. Nós quatro acabamos no mesmo trajeto ao mesmo tempo. Todos tão diferentes, sim, mas de alguma forma nos aproximamos durante esse tempo. Nisso estava a magia do tédio do ônibus.
E para concluir, amigos, é melhor viajar de trem, se for para uma longa distância. Ou de avião. Ônibus é bom para viagens como Nova York - Nova Jersey, etc.
E mais uma coisa: Dica no 12: Comprem um carregador portátil ou Portable Charger, como são chamados nos Estados Unidos. Isso é muito importante para qualquer viagem, e para o ônibus ainda mais. E, em geral, será útil na vida quando você sair o dia todo.






