Será que estou ficando mais feliz? Oh, meu Deus. (c)
Um tweet depois da América.
Sempre soube que estava destinada a algo e, deixando-me levar pela correnteza, acreditava: estou no meu caminho. Mas chegou o momento em que me cansei de esperar a continuação da minha história – ela era tão chata que esqueci com sucesso parte dos eventos e personagens.
Ao me preparar para ir à América, pensei: esta será uma excelente maneira de testar minha estabilidade, talvez a civilização de além-mar me transforme em uma aventureira corajosa e amplie meus estreitos horizontes mentais. Quero contar-lhes minhas histórias e submeter ao seu julgamento o nível da minha loucura.
Primeira história (Como conhecer pessoas? Resposta: de jeito nenhum, as pessoas conhecerão você por conta própria)
Viajei sem amigos ou companheiros de viagem, então, durante a escala em Frankfurt, que durou – calma, superei tudo mais facilmente do que planejava! – dezoito horas, fiquei sozinha. Bebi um chá quente, que parecia muito mais sem alma do que aquele que meu vizinho bielorrusso faz, enquanto dourava pão branco em uma frigideira quente.
Sentir-se sozinho no aeroporto é normal. Sentir falta da pátria é normal. A propósito, pode soar grosseiro, mas essa foi a última vez que senti tanta falta de casa.
Tentei me acomodar na cadeira do aeroporto para dormir, mas não deu muito certo – fiquei deitada com os olhos fechados e vagando sem rumo em meus pensamentos, até que senti alguém me cobrindo com um cobertor. Espanto o sono, abro os olhos. À minha frente, um afro-americano radiante de alegria e desculpas, nada confuso, murmura: “Garota, provavelmente seus pés estão frios, como não ajudar uma garota que está com os pés frios? Eu te daria meias quentes, mas não tenho, pegue o cobertor por enquanto, já que seus pés estão frios”.
Agora sei que era Hector. Ele é de Nova Orleans, Louisiana, ama seus pais idosos (mais tarde verei essas pessoas com rostos bondosos, marcados por dezenas de rugas ao redor dos olhos), adora mel e gostaria de ser advogado. Foi assim que conheci meu primeiro amigo americano em Frankfurt.
Daqui derivam naturalmente meus conselhos:
-
Amigo, não tenha medo de aceitar ajuda, mesmo que pareça antinatural fazê-lo. Apenas admita que precisa de ajuda. Eu entendo: antes, eu tinha vergonha até de perguntar onde ficava o correio.
-
Sentir-se sozinho no aeroporto é normal.
-
Tente não perder o contato com todos que encontrar em seu caminho. Ao retornar para casa, as mensagens “what’s up” ou “i miss you” parecerão um salva-vidas para você.
A propósito, na minha vida americana houve outro Hector. Ele se aproximou de mim em uma rua movimentada de Chicago e disse: “Hey, botas incríveis!”. Meia hora depois, Hector estava me mostrando os arranha-céus de Chicago e me oferecendo uma maçã doce, enquanto eu descobria que ele gosta de bares empoeirados, odeia sua profissão de advogado (oh!) e acredita que existem pessoas que pegam tudo sem merecer.
Essas lembranças são tão calorosas que o amor por elas às vezes me impede de respirar.






