Há três dias seguidos – das dezessete às cinco da manhã, o tempo todo de pé, trabalho agora num night club. O clube chama-se «Mavericks». Existem várias traduções para esta palavra, mas, ao que parece, o que melhor corresponde ao nome do nosso clube é «vitelos não marcados»... Em suma, é o melhor dos três clubes de striptease da cidade. Ira e Katya são empregadas de mesa lá. Katya tem muita vergonha deste trabalho e não quer contar a ninguém que tem a mínima relação com um lugar desses. Pode-se compreendê-la, não é? Deve ser por isso que ela não foi para lá até ao último momento – até que no inverno (local) a situação com o trabalho e o dinheiro ficou difícil. E agora, depois de ter trabalhado lá apenas um mês e meio, ela vai-se embora – procurar outro trabalho. E Ira também sonha em escapar de lá. Agora sou barman. Ira deu uma boa palavra por mim ao patrão, após o que fui contratado. O clube é grande, há pelo menos dez empregados de mesa. Nós – os barmans – somos cerca de oito pessoas (cinco negros, uma rapariga – branca, e outro rapaz branco). As empregadas de mesa são um grupo misto. Entre elas só há um rapaz, e é negro. Além disso, um monte de gerentes, todos brancos. Deles, um homem – gay – tem cerca de quarenta e cinco anos; e há uma rapariga jovem (talvez da minha idade, talvez um pouco mais nova). Bonita. E «ocupada». Por enquanto. Os gerentes são todos locais. Bóeres. E há cerca de cem dançarinas-strippers. Quase todas brancas. A maior parte são eslavas (ucranianas, russas, bielorrussas). Moldavas, romenas. As outras são africanas. Bóeres e negras. Ao mesmo tempo, há algumas fisicamente muito interessantes, mas... enfim, qualquer um pode julgar uma pessoa. Mas compreendê-la...
As pessoas chegam às centenas, para a entrada no clube cada um paga oitenta rands. A música é variada, três canções, fixas, por noite são russas. Holofotes, um mar de bebidas diversas (principalmente, claro, alcoólicas). Fumo de cigarro, atuações intermináveis, espetáculos e danças das raparigas. Resumindo – tudo como deve ser num clube de striptease sólido (se tal definição pode ser apropriada para tal tipo de estabelecimento).
Não, não posso dizer que é um lugar «sujo». Na verdade, tanto o local como toda a sua decoração interior parecem civilizados. No entanto, preferiria ser empregado noutro lugar...
Mas o que fazer? Existe a possibilidade de ganhar até vinte e cinco dos nossos. E até que não encontre outro lugar onde pudesse ter o mesmo ou um salário melhor. Lembro-me de como Alexey se expressou, quando apenas trocávamos mensagens e eu me preparava para vir para cá: «Não ganharás muito dinheiro lá. Especialmente porque na África do Sul não há nada de graça como na Europa ou na América. E o que ganhares – gastarás logo. Porque não se pode viver na Cidade do Cabo e não gastar!» E eu pensava que ele exagerava.
Resumindo, não gosto do «Mavericks». Ontem e hoje no meu tempo livre estive a pensar nisto. E agora, creio que posso formular a razão principal. E para mim não reside de todo no facto de, por exemplo, me preocupar com «o que pensarão de mim os meus amigos, familiares; outras pessoas interessantes e autorizadas para mim». Não, não! Na verdade, a razão não é essa.
Entendes, em cada lugar (esfera), onde quer que estejas, haverá sempre uma certa mentalidade, um modo de relações e, o mais importante – uma certa atitude geral perante a vida, pontos de vista, valores, juízos e convicções. Pois bem, precisamente a atmosfera do «Mavericks», ou falando mais diretamente – a atitude das pessoas que trabalham lá perante a vida – isso é o que de maneira nenhuma se cruza nem se alinha com a minha atitude. Entendes a que me refiro? Vale a pena detalhá-lo mais, ou expliquei de forma bastante compreensível?
Em suma, se aparecer a oportunidade e a perspetiva de um trabalho mais adequado para mim – não vou perder tempo. Vou-me embora imediatamente.
20 de outubro de 2008

