A estação central parecia isolar a cidade do resto do mundo. O trem suburbano de Joanesburgo nos sacudiu por mais de duas horas, muito, muito mais tempo do que poderíamos ter imaginado. A essa altura, já tínhamos perdido toda a paciência e duvidado várias vezes se estávamos indo na direção certa. Se tínhamos pegado o trem certo?!
Descobriu-se que era o certo! O interior da estação parecia velho e desgastado. Era como se Joanesburgo terminasse ali e um novo mundo começasse – o mundo da cidade de Pretória.
Saímos para a praça da estação, olhamos ao redor... Nada! É verdade, estávamos cansados da viagem e mal conseguíamos aproveitar. Mas estava claro: nesta cidade havia muito o que aproveitar. O mais interessante: tudo o que parecia notável estava à direita da saída da estação. E à esquerda, bem, assim... Simplesmente cidade.
Fomos para a rodoviária para perguntar sobre as passagens para as Cataratas Vitória. Havia passagens. Baratas. Mas apenas para amanhã. Pensamos e decidimos: podemos comprar. De qualquer forma, chegaríamos a tempo para o dia quatorze, para a partida de Vitya!
— Bem, compramos e vamos procurar um hotel? — sugeri.
— Vamos fazer o contrário! Primeiro procuramos onde dormir, e depois as passagens!
— E qual é a diferença?
— E se não encontrarmos hotel?
— Encontraremos um. Só não sei quanto vai custar. Tudo bem, vamos fazer do seu jeito! Só pergunte até que horas a bilheteria fica aberta?
— Até as oito e meia! — informou Vitya depois de se informar.
Olhamos as horas: passava das três.
— Bem, vamos. Mas vamos perguntar primeiro no balcão de informações da estação, que eles nos recomendem um hotel! — sugeri.
Assim fizemos. Recomendaram um bem perto, a cerca de duzentos metros do prédio da estação – à direita e depois da curva.
— E quanto aos preços? — perguntamos ao consultor.
— Razoáveis, — respondeu.
Tudo claro! Ambos recebemos esse «razoáveis» com desconfiança e começamos a vagar em busca de outro hotel.
— Os negros, assim que veem brancos, pensam que eles têm os bolsos cheios de dinheiro e podem oferecer-lhes algo mais caro! — compartilhei minha opinião, formada nos últimos meses.
Procuramos. Mas ou não gostávamos do lugar, ou do preço. Caminhamos por trinta ou quarenta minutos. No final, decidimos ir ver onde o consultor negro nos sugeriu.
Descobriu-se: ERA UMA BOA PESSOA! E o hotel era encantador! Eles tinham um mês de descontos e chegamos dois dias antes do fim, o que significava que podíamos aproveitar os descontos em todos os aspectos! Alugamos barato um quarto maravilhoso com camas confortáveis, chuveiro e uma vista maravilhosa da janela!
Eu estava no sétimo céu! Olhando pela janela, decidimos imediatamente para onde podíamos ir. À direita, ao longe, destacavam-se a universidade da África do Sul e a torre de televisão. E à esquerda – cerca de duas vezes mais longe – o antigo prédio do governo «Union Buildings». Imenso, lindo! Em uma colina. E mais à esquerda e mais perto de nós – o centro da cidade. Lá, um belo arranha-céu. E eu adoro arranha-céus!
Fui tomado pela euforia.
— Viva-a!!!! — gritei.
Vitya também brilhava de felicidade.
Nos instalamos. Um banho refrescante, café quente com um rocambole doce. Uma festa da vida e da alegria! E Pretória tornou-se imediatamente dez vezes mais agradável!
Depois do banho, comecei a pular na cama. Por um entusiasmo indescritível!
Às seis, leves, fomos buscar as passagens, levando apenas o dinheiro para pagá-las e a pequena câmera de Vitya, que cabia facilmente no bolso do short.
MAS NÃO HAVIA PASSAGENS PARA AS CATARATAS VITÓRIA! TINHAM ESGOTADO!
— Bem, paciência, iremos para Port Elizabeth amanhã! — Vitya não ficou nem um pouco decepcionado.
Mas eu fiquei triste.
— Mas estávamos tão perto de Vitória! Talvez eu nunca mais tenha a chance de visitar esta cachoeira!
— Bem, o que podemos fazer?! Sim, está tudo bem! Iremos ao Oceano Índico e, em troca, enquanto estiver aqui, teremos tempo de subir a Montanha da Mesa!
— E se, no final, fôssemos à cachoeira? Compramos para depois de amanhã! E de lá, direto para a Cidade do Cabo, de volta?!
— Não, não quero correr esse risco! Deus nos livre, não quero perder meu voo!
Ainda restavam passagens para Port Elizabeth para o dia seguinte. Às 15:30. E nós as compramos. Depois disso, completamente relaxados, fomos passear.
Anoitecia. A hora se aproximava das sete. Fomos em direção à (provavelmente) universidade principal do país. E à torre de televisão.
Na realidade, estávamos apenas passeando, sem nos fixar o objetivo concreto de chegar à universidade. Mas, como se viu, nada nos impedia. Em Pretória, tão perto de Joanesburgo e com uma maioria absoluta de população negra (em dois dias vimos cerca de cinco brancos, e ao voltar para a Cidade do Cabo nos pareceu que quase a maioria das pessoas era branca), era calmo e pacífico. Especialmente nas estradas que pegamos. O humor era excelente. O passeio trazia alegria. Especialmente considerando que estávamos frescos, depois do banho, saciados e leves. E sabíamos que, ao voltar, um hotel maravilhoso nos esperava!
Escureceu. As ruas foram iluminadas por postes. Quente. Bem!
Levamos não menos de quarenta minutos, mas não mais de uma hora para chegar à universidade.
— Olha como ela é gigantesca! — dizíamos um ao outro.
— A universidade é, afinal, algo especial! E não apenas a arquitetura do prédio, mas também o lugar onde é erguido, é sempre escolhido com o maior cuidado! Muito frequentemente constroem em uma montanha ou elevação. Ou em algum lugar perto de uma floresta. Para que se possa vê-la de qualquer lado da cidade. Você nunca tinha reparado?! — perguntei.
— Bem, claro! É uma universidade!
Voltamos tarde. Compramos suco, frutas e até um pouco de vinho.
Aproveitamos, sentindo-nos humanos.
Dormimos bem. Confortáveis, aconchegantes, de bom humor.
De manhã, ao abrir os olhos, descobri que estava chovendo. Pessoalmente, não fiquei nem um pouco decepcionado. Pelo contrário! Peguei a câmera e comecei a filmar a «cidade em tempo chuvoso, da janela». Depois de um tempo, a chuva parou. E fomos ao parque. Tínhamos que deixar o hotel às onze, queríamos ir passear sem nossas coisas antes disso. No parque estava fresco, ainda deserto. Sentia-se – o ar na capital é bom. E depois da chuva – também perfumado. Talvez não pior que na Cidade do Cabo. Só que o cheiro do oceano não se misturava. Aliás, a capital da África do Sul é toda verde, há muitos parques e praças. Tudo é cuidado, muitas flores.
Chegamos à conclusão de que os negros em Pretória são muito mais cultos do que em outras cidades do país. Salta aos olhos o menor número de mendigos em relação à Cidade do Cabo e, especialmente, a Joburg (lá, mesmo da janela do ônibus, estava claro que havia mais do que o suficiente). E, o mais importante, as pessoas na capital estão bem vestidas, tudo ao redor está limpo, arrumado, vê-se: eles cuidam.
— Incrível! Eles são capazes! Significa que não é uma causa perdida que os negros dirijam o país! Descobre-se que eles podem, se quiserem, — surpreendi-me.
Depois das onze voltamos a passear. Desta vez em direção aos «Union Buildings». Levamos uma hora e meia ou duas. Mas por uma estrada muito bonita, embora, como se viu depois, não totalmente direta. Passamos por três parques maravilhosos, quase desertos. Chegamos ao destino. Admiramos muito, tiramos fotos novamente. E voltamos. Tudo nos agradou muito e nos impressionou. No caminho de volta chegamos ao prédio mais alto da cidade, tiramos uma foto com ele. E é isso.
E de lá, direto para o ônibus – e para Port Elizabeth!





