Decidemos ir a Moscovo de comboio. Cedendo às insistências do Pasha sobre o romantismo, a leitura de um livro ao ritmo das rodas e as longas conversas com uma chávena de chá, rendi-me. Comboio, seja comboio))) Para antecipar, direi que o romantismo não aconteceu. As camas laterais na carruagem platzkart não são muito adequadas para rapazes robustos, mas eu dormi o que precisava. Dormi o dia todo e a noite toda, por isso as conversas com uma chávena de chá também não aconteceram))) Em compensação, o Pasha leu o livro maravilhosamente)))
E eis que são 6h30 da manhã, o monumento a Chaliapin, uma multidão de gente. Estou desorientada, nem sequer tenho medo. Só que está muito frio. -4!!!! Cerca de uma hora e meia de espera para a entrevista passou despercebida... E eis a tão esperada entrada. "Tirem os casacos". Claro, claro pessoal, não tenho frio nenhum, só parei de sentir o frio há cerca de trinta minutos, e juntamente com o frio não sinto as mãos nem os pés, por isso sem problemas, vou tirar.
Não levava nada comigo exceto os documentos, por isso entrámos sem problemas. Eu estava com o n.o 21, o Pasha com o n.o 23. Numa fila ordenada de trinta pessoas passamos para a sala de espera e OH SIM!!!!! aqui há uma casa de banho!!!! E também cadeirinhas, onde é preciso sentar-se estritamente por ordem, estamos separados novamente. Já é hora do nosso grupo seguir caminho. Impressões digitais, janela 18. E é aqui que acontece ISTO (se não me tivesse acontecido nada, teria ficado extremamente surpreendida), coloco a minha Left hand no painel tátil, a rapariga atrás do computador olha para mim intensamente e diz "one minute, please". Começo a entrar em pânico silenciosamente enquanto ela, durante cerca de 5 minutos, com uma cara tensa, clica nas teclas. Não, não, nunca estive nos EUA e nem sequer tive tempo de fazer nada.... Mas tudo acabou por ser muito mais prosaico, os nossos números foram trocados com a rapariga que seguia atrás. E eu estava com o n.o 22, e ela, consequentemente, com o meu. Bem, este incidente não me trouxe tranquilidade)))
E eis a janela, e eis o la-la-la-la. N.o 13. Excelente, o meu número! À minha frente 2 pessoas, o Pasha atrás de mim. Tento ouvir convulsivamente a voz do cônsul, a articulação é perfect, suspiro de alívio. Ele chama-se Matthew. Muito querido!!!!
Aproximo-me, cumprimento. Ele sorri e pergunta:
What is your name?
Yana.....Skutte, respondo.
Segue-se um longo diálogo sobre se o meu apelido é alemão ou lituano. Respondo que é alemão. Ele pergunta: "Então és alemã?". Digo que sou russa, ele faz uma cara de quem não entende. Tento explicar que este apelido veio do meu stepfather. Ele acena com compreensão e diz que sou uma rapariga russa com um apelido alemão. Começa a rir, diz que é engraçado. Concordo (o que mais posso fazer?)))) depois:
Are you a night student?
Yes, I'm.
How many hours do you have? (algo do género).
E aí solto 20! Porquê, nem eu própria entendi, já que ele tem lá o certificado onde estão detalhadas as minhas horas por semestre, e eu solto-lhe 20!!!!! Ele sorriu-me e disse: "Have a nice summer in the USA"!!!!!!!!
Thank you!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!
Sim!!!! Consegui!!!!!! O Pasha também, fizeram-lhe a pergunta: "Oooo, a Yana Skutte é tua mulher?". Ele diz: "Sim, é minha mulher. Eu sou o marido dela". O cônsul responde que It's great!!!! mais um par de perguntas e também lhe deseja um excelente verão)))))
Acham que depois disto relaxei???? Nãoooo, relaxei no dia 31.03 quando chegaram os nossos passaportes, e lá dentro os vistos!!!!!! Foi aí que me libertei! Percebi que o verão nos EUA é quase uma realidade))))))

